Sociedade Portuguesa de Células Estaminais pede ao Governo para legislar sobre a matéria

23/04/2008 22:35

Sociedade Portuguesa de Células Estaminais pede ao Governo para legislar sobre a matéria

 
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Saúde
 

O presidente da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular apelou hoje ao Governo português para que legisle sobre a investigação científica com células estaminais, sublinhando a dificuldade de trabalhar "num vazio legislativo".

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"Ao contrário da maior parte dos países da União Europeia, não existe em Portugal uma legislação específica que permita ou não permita a utilização de células estaminais embrionárias humanas", declarou Rui Reis, à margem do 3º Encontro Internacional da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular, que arrancou hoje em Faro e termina quinta-feira.

Em declarações à Agência Lusa, Rui Reis, o presidente da Sociedade, defendeu a criação de uma legislação que permita a Portugal ser competitivo naquela área de investigação científica e, por outro lado, que permita a investigação com células estaminais embrionárias.

"Seria interessante, em condições éticas muito controladas e só a grupos com muita qualidade científica e que têm condições laboratoriais do melhor que há, e com o consentimento informado, que fosse permitido trabalhar com as células estaminais embrionárias, porque neste momento ainda não é", afirmou.

O especialista da Universidade do Minho acrescentou que, no mínimo, Portugal deveria ter uma legislação que permitisse a utilização de embriões excedentários das clínicas de fertilização.

"Em termos de Sociedade, já ficávamos satisfeitos se fosse permitido a utilização dos embriões excedentários", mencionou.

O que se passa hoje em dia em Portugal, segundo Rui Reis, é que há investigadores portugueses que trabalham com células estaminais embrionárias (CEE), mas "fazem esse trabalho com grupos em Inglaterra, em regime de colaboração". Em Portugal, só trabalham com as células estaminais adultas.

Nos diversos países da Europa, há países que proíbem totalmente a investigação com este tipo de células, há países que só permitem a utilização dos embriões excedentários das clínicas de fertilidade e há países, que são os que têm as legislações mais abertas, que permitem que se façam embriões propositadamente para investigação científica, recordou o especialista.

As células estaminais embrionárias são completamente indiferenciadas e podem dar origem a todos os tipos de células de um adulto, através de um processo de diferenciação.

"As células estaminais têm a capacidade de poder vir a substituir qualquer célula doente que tenhamos no corpo e podem ser usadas para regenerar qualquer tipo de tecido ou órgão danificado", explicou José Belo, coordenador do Grupo de Embriologia e Manipulação Genética da Universidade do Algarve (UALG).

As células estaminais embrionárias são obtidas a partir de embriões feitos propositadamente para investigação ou embriões excedentários das clínicas de fertilização.

O comportamento das células estaminais e as suas potencialidades na Medicina Regenerativa são temas em debate no 3º Encontro Internacional da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular, que decorre até quinta-feira na Universidade do Algarve (Faro).

No encontro estão reunidos cerca de 150 investigadores nacionais e internacionais na área de células estaminais.
 

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